Sem princípio e fim
Os seus cabelos feitos de fios de prata a sua pele de uma brancura penetrante o seu cheiro numa frescura intensa. Recordo os seus dias de inocência, em que o seu sorriso tocava-me através das janelas do seu quarto no corpo como pétalas. Conheci-a assim. Crescia dentro daquele corpo de criança protegida num aquário. Vi tudo através da transparência que de dia agarrava mais sujidade, com vontade de absorver qualidades de um material que gosta de mostrar. Enquanto dormia apaixonava-me, nos dias claros observava-a pintando a árvore, era feliz e ela não me via. As horas em que limparam os vidros das suas paredes ela saiu, guiaram-na pelos corredores de uma cidade que a envolvia de sortidos de brincadeiras, de travessuras, de esconde-esconde, de cabra-cega e atira-ao-alvo. Foi a última vítima que não pude socorrer. Perdi-a, e nesse dia regressei à sua pintura, escondi-me lá dentro com medo que os céus reclamassem a minha vida incapaz. Deixei de reconhecer a luz do dia e apodrecer todos os sonhos. Cabelos de prata ao vento ali estava ela, pousei a minha mão sobre as dela e trouxe-a de volta.
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amei.
bjo, t
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