+

Memórias

"(...) As ideias nascem das próprias palavras e do carácter misterioso que elas têm. Milagroso, às vezes. De se aproximarem, de se afastarem e de fazerem sentido. (...)

Há um poema seu que começa assim: «Eu sei. É preciso esquecer.» Noutro, escreve: «Lembranças a menos / faziam-me bem.» E haveria ainda outros exemplos.
Sim. Nós somos a nossa memória. (...)
Escreve-se simultaneamente contra e com. (...)"

Entrevista, de Carlos Vaz Marques a Manuel António Pina, na LER.


O que se faz em quase nove horas num Centro de Saúde perto de mim? Li, a revista que passeou de mala em mala durante quase duas semanas. Subi escadas com casais de velhos, que esperaram três meses por uma consulta - é grave menina. todos estes anos a trabalhar para isto (...). Saí para comprar uma garrafa de água a uma senhora, que com os seus quarenta e seis anos nem a dita conseguiu abrir por causa das artroses. Distraí outra senhora, grávida, quase a completar as nãoseiquantassemanas (e ouvi os ecos duma frase da senhora minha mãe, tu não és normal, isto porque todas as mulheres têm um relógio biológico tictactictoc, e eu nem por isso), por estar à espera desde as seis da manhã estava desesperada e enervada. E eu, porque preciso de estar tanto tempo à espera que a senhora doutora, minha médica de família que me viu três vezes nos meus vinte e oito anos de existência (uma delas nem me chegou a ver, porque decidi partir o queixo em pleno Centro de Saúde), preencha dois modelos (que ainda vão a 'conselho superior' para aprovar) para ser internada e operada. É a minha falta de paciência a atacar outra vez. (umas cadeiras mais à frente enquanto folheio a minha LER, desenhada pela minha sobrinha Carolina, ouço uma criança perguntar à mãe - já passaram as horas todas?)

4

Anonymous Anónimo said...

aplauso!

.eu.

5:35 da tarde  
Blogger feniana said...

tb eu querida t, queria que as horas passassem todas a correr.e, chegado setembro, fossem horas preguiçosas, demoradas e não saissem do(s) lugar(es).

amei este teu post. e a entrevista na ler desse deus das pequenas coisas chamado manuel antónio pina.

6:52 da tarde  
Blogger Goiaoia said...

- Não. Ainda num passaram horas que chegue. De resto, acho que tão cedo nem passam nem chegam horas para o que quer que seja. Tal como escrever.

Num tenho apetite, nem apetência por postar nada de nada ou o que quer que fosse, é quase, quase como se estivesse... aborrecido. Desinspirado?? nem por isso. Sinto é que "tudo" conjecturalmente se tornou irrelevante.

E, aí, postes... num me parece. Mas cómantes sim. Acho que vou passar uns tempos nas caixas de comentários. Na minha e nas dos outros. Sobretudo nas dos outros.
um Beijo grande


p.s. fiz uma ronda pela minha caixinha e num te respondi ali. Entonces vim para aqui. Sorry e Sorri

8:37 da tarde  
Blogger Cecilia M said...

e estas horas parecem sempre ter sempre mais de sessenta segundos... é esta a realidade em que vivemos!

6:09 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home