(Mariana)

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Entro no comboio, sento-me e cruzo as penas, já trazia a Charlotte nos ouvidos. abro as 1280 almas. Sem aviso, alguém me tira um dos headphones, oiço -que giro! seguido de -mariana deixa a menina e vem para aqui! Comecei-me a rir e entretanto tira-me o outro e a Charlotte cala-se, transforma-se numa voz pequenina de caracóis bem animada. Empurrou-me as pernas e nem sequer fez caso do avô que continuava a chamá-la. -Quero-me sentar. Foi verdade, ficou sentada ao meu lado, roubou-me o livro das mãos com um quero ver decidido. Ficámos uns minutos a desenhar o mundo na ponta dos meus dedos, eu a carimbar o meu próprio livro, e ela ria-se. Rabiscou. E queria mais carimbos. E mais canetas. Pegou-me na mala e abriu-a, nem tive capacidade de resposta. -olha! pastilhas! quero! Não podia ser. Desistiu da ideia, pedi-lhe para lhe ver os dentes e ela disse-me séria -são para ti. Queria mais carimbos, mas desta vez com os dedos dela. O avô salvou-a e foi buscá-la. -Mariana vamos, anda, vamos embora dá um beijinho à menina (deu-me três) e pede desculpa por seres mal educada(...). A Mariana não pediu desculpa, foi-se embora a rir. Eu continuei com as 1280 almas, voltei à Charlotte, mas os meus dedos voltaram para casa esborratados.
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