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O que tem para ouvir? Tudo isso... Tão diferente. Tenho esses anos. Acho que sou nova, sorri com olhos que precisam do escuro. Os cabelos levantam voo à passagem do comboio, trago-os compridos, levemente encaracolados - abraçam-me os ombros. A OML continua a executar concertos para os familiares, amigos e familiares. Está bem. Por debaixo dos óculos molham-se os olhos. É segunda-feira outra vez. E, outra. O estômago passa para o lugar dos pulmões, começo a respirar. A OML é o que querem que ela seja. Talvez, quando o dia se dissolver na penumbra ela não exista mais. Os olhos não estão bem. As palavras, Cemitério de pianos, dispara uma lágrima. Um dia vou ser obrigada a abandonar a leitura. Acho que sou nova. Levo quatro queijadas. Ainda bem que foram quatro. O meu pai janta connosco. Seria irresponsável se aceitasse um livro emprestado. Sem pudor, escrevo sublinho por cima por trás dobro rasgo. Os pulmões começam a soltar o sangue, as veias enchem-se de oxigénio. Aumento o volume. Leio, assina o presidente da ordem dos engenheiros. Vêem cá. Todos têm as suas vidas. Os meus orgãos retraem-se, é preciso ter cuidado com o que se escreve. A Teresa? Namorei com ela. Lembra-se? Suspenso. Ofereço-lhe esta rosa. Lembre-se de mim. Viro-me a tempo, as palavras colam-se ao vermelho do forro do casaco. Remeto-o à caixa dos silêncios. uma fibra fina. um plano de caixa que não se fecha.

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Anonymous Anónimo said...

boa noite, t. só agora li as suas palavras no post anterior. fico muito grata. ainda bem que me trouxe até si. gostei de ler. um beijinho.

7:32 da tarde  
Blogger [A] said...

[t] dorme bem. e deixa as lágrimas.

1:05 da manhã  
Blogger francisco carvalho said...

ufa!
como gostei disto...

11:19 da manhã  
Blogger A. Pinto Correia said...

fabulosas letras, as tuas, T.Remeto-me para a "fibra fina da caixa dos silêncios".
Beijos

4:28 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

cara t. vim reler. há todo um segundo sentido no que escreve que estou ainda a apurar. terei de ir ao arquivo conhecê-la melhor...*

3:28 da tarde  
Blogger [ t ] said...

@,
não deixo lágrimas pelo menos soltaspor aí. nem todas pesam abandono nem tristeza.
beijos

(obrigada pelas palavras;))

2:21 da tarde  
Blogger [ t ] said...

francisco, espero mesmo que tenha sido ufa! :)

2:21 da tarde  
Blogger [ t ] said...

unicus, voltemos, por momentos, as costas ao silêncio...

2:22 da tarde  
Blogger [ t ] said...

alice,
existe mais do que um segundo sentido.diga-me, quando quiser, o que apurou (se é que existe algo para...)
beijinhos

2:26 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

existe sim, t. e ainda bem que vi. foi surpreendentemente revelador. um dia disse-me que os seus barcos não tinham sido detectados no meu blog. mas há remos que só mais tarde nos puxam para certas águas inquinadas. não posso explicar melhor. estou-lhe grata. só isso. um beijinho.

2:36 da tarde  
Blogger Lourenço Viana said...

Isto soa-me ao mesmo que sinto quando nado, uma sucessão incrível de coisas. Incrível como está tão bem transposto. Mas, que digo? Preciso só dizer que me senti sorrir por dentro, mexer por dentro, à medida que me aproximava do fim.

1:06 da manhã  

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