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um dia serei uma fadinha. voarei sete vezes por cima de vocês quatro e deixarei cair pózinhos de amor sobre as vossas cabeças. queria tanto que não vos fizessem mal. que não existissem bichos nem bolor nos vossos corações. só coisas boas. muito açucar

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viro a página. têm tantas páginas os dias. arranca-se para a auto-estrada, na primeira curva o anel prende-se à meia de renda. por causa destas é que elas acontecem, ouço a minha mãe (que detesta as minhas meias e as hum. as hum que não se diz aqui. detesta-as, porque no tempo dela - seja ele qual for - quem as usava já se sabe quem era). com o pedaço de metal preso à perna sigo ao destino. mas elas acontecem por causa da minha esperteza saloia. adoro isto. esperteza saloia. mais uma vez, raios partam os engenheiros, que não inventam betão transparente nem pilares almofadados. como diz a manarac, tenho o que se pode chamar de carro personalizado carregado de design e arabescos.

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raio diabólico que caiu sobre a minha cabeça. no relógio prolongavam-se as quatro da manhã. a opção era tomar partido da dor. a que alucinava a cabeça ou a outra mais aguda que conduzia o meu corpo a um contorcionismo perfeito. de concha os joelhos junto ao queixo e as mãos que esperavam pela força. o desconhecimento da causa é incompreensível. não houve por isso alternativa à mudança. aguentou-se uma e outra. alternando a importância numa espera de agonia contínua enquanto uma voz deitada ao meu lado martelava.um.duas. tu não descansas, tu não comes. dá nisto.

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com uma amiga.
- vamos para os copos sim.dançar e beber muito.quase festejar
- ok. como tu não queres nada com homens vamos para uma discogay?
- nada disso!lá porque eu não quero nada com homens...tu tens direito à vida!
(....)
com a mesma amiga, dias depois.
- disse-lhe no fim de semana que estava cansada de gostar dele. responde-me, descansa...
como quem não quer a coisa, o brasileiro questionava-se sobre a justiça, por uns pagam os outros. agora entrou-me em greve de homens, por causa de uma unidade mal amanhada.

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texto de derrotada, sem saber o que me derrubou sigo a marcha. quinhentos metros à esquerda, dois mil em frente. há situações que não valem a pena serem relembradas. não entendo o significado de tantas outras coisas. a almirante reis atinge o auge da sua depressão pelas oito e meia da manhã, ou um pouco mais cedo. lá vou eu, para cima e para baixo (ao contrário também). há pessoas que me olham, estranham-me a presença, um café tirado pelo senhor chinês, a senhora que come coisas estranhas os olhos ficam mais rasgados. sorri-me pelo cem e quatro (um euro e quarenta cêntimos). um tomás que acorda e chama pela tia. uma casa desabitada, sem olhos. fico parada na rua sem saber porquê. um brasileiro que pede cigarros. acabei de dar dois a uns russos, pelos outros pago eu, diz-me. que raio de justiça é essa. fica com o cigarro que estou a fumar. estou doente aviso-o, ele continua com uma lenga-lenga. és bonita e mais não sei o quê. isto devia ser tudo ao contrário, eu é que te devia ceder o cigarro, é a lei do cavalheirismo. (puta que pariu o cavalheirismo.já não se usa.o meu tio avô era cavalheiro e, traía a mulher.já não se usa porque já morreu). farto-me dos dias. o bocado mal já deixou de ser bocado. ouço atenta a história da luísa, 35 anos, suicidou-se. a tia ouviu-a morrer do outro lado da linha, sem saber onde ela morria. morreu num sitío onde foi feliz. penso. se um dia quiser morrer, qual é o sitío de devo escolher. procuro os cantos onde fui feliz. a única coisa que faço bem é o meu trabalho. esse e cuidar dos outros. estou tão farta de ambos. se as memórias são reinventadas, porque não posso eu fazer-me de outra. um dia acabo mal, mas a verdade, é que um dia acabamos todos. penso. não cobro nada a ninguém. a ninguém. mas cobram-me a mim. dizia ao pedro que ninguém espera nada de mim, mas a verdade é que me cobram. cobram-me quieta.mas desta vez é de vez.

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como conseguir colocar uma jovem (cof) fora da corrida, escrita vida. primeiro prepare uma bela agulha. dois sacos e duas marquesas.faça como se fosse preparar um bonito bolo, com muito amor e devoção.depois prepare-se para extrair da jovem um litro de sangue. fure-a no braço direito e, diga bem alto... a agulha está na veia, mas não sai sangue absolutamente nenhum... deixe-a espetada pelo menos cinco minutos. de seguida fure-lhe o outro braço. mande-a para casa trabalhar, não fume mas beba muito. deixe passar um dia e espete-a contra o chão com um menino de ano e meio no colo. atire-a mesmo contra o chão, vá lá... não tenha medo de a magoar (já vimos que não sangra) e, sabemos que ela vai fazer tudo para proteger o menino...
leve a co(z)er no hospital mais perto. não se esqueça do recado - tratar com cuidado.
antes de tudo isto, por favor, leva-a a ver sweeney todd. escolha um dos últimos lugares da sala (bem no topo) daqueles que parece que a qualquer momento vai voar até à tela. deixe-a iniciar um ataque de claustrofobia, as mãos bem suadas, o coração bem acelarado e finalmente a falta de ar. espere que ela se habitue à ideia, aquilo=filme=(espécie)de musical= a um bonito vestido de princesa mal cortado e cheio de alinhavos. (mas não fique sentado à espera que lhe contem como correu o resto da noite.dias - recado repetido - tratar com cuidado).

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saiu um discurso menos cuidado do que devia. bom dia e, um tu és mesmo cabra, ao jeito da confusão gerada. há pensamentos formados frases que não se devem dizer. ahahamémé, riso de cabra. estes arquitectos não sabem o que fazem, sabem bem o que querem. vai uma grande distância para o que sabem fazer. depois, há as coisas tristes que eu consigo fazer, tais como, ainda não me ter habituado a conduzir de saltos finos de 7cm ou coisa semelhante. é perigoso, não é? depois há os engenheiros que nos salvam a pele, e outros que... valha-me o menino jesus e o diabo fique bem longe quehojevenhoarmada. (ainda confusos?) a minha deixa favorita passa pelo, não quero isso.não aceito.nãonãonão. sempre a três, que dois caem mal. saem entretanto mais, ou menos, três noites sem dormir. o telemóvel toca, o meu mano maisquetudo liga-me da rua de santa catarina. pergunta-me quem deve informar sobre a queda de uma guarda de ferro de um (dosmuitosmuitos) prédios de sta catarina abandonados. degradados. tudo de pior. mandei-o à polícia. ou então experimentar arranjar uma guarda semelhante e atirá-la à secretária do senhor presidente. espatifou-se no chão nas suas costas (estava cansada, os materias também se suicidam... expliquei-lhe) porque funciona mais ou menos como ficar a vida inteira à espera que uma tal pessoa decida a nossa vida. não é nenhum deus e, diz-me se fingimos amar porque não fingimos não amar? depois dentro do carro há sempre pares de sapatos a saltar. tive uns que foram parar ao lixo (velhos e sem remédio), eram as minhas sabrinas predilectas (da condução diga-se). o curioso é que o exame de condução foi feito de saltos, à mistura pernas a tremer, mas a cara muito séria e convicta do que estava a fazer. na troca de sapatos (ora entra, ora sai) acontece-me de tudo. calçar os sapatos ao contrário, esquecer-me de colocar os de saltos no devido lugar (começar a conduzir e... ups.tenho pedais a mais aqui embaixo...), estar de rabo empinado à porta do carro a trocá-los, e outras coisas. por causa destas tristezas um senhor que vive em frente ao estacionamento já me cumprimenta.ri-se muito (eu ainda não percebi a piada). com tantos edifícios em abandono, os arquiectos à bulha para terem trabalho. trabalho à borla. temos que ser uns para os outros, eu lixo-te a vida e tu lixas-me a mim, isto sempre a falar de outras coisas. faça-me lá o jeitinho se faz favor. enquanto vai indo, mas quando chegar, por favor avise.

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post do tempo da escravatura
existe uma bonita escrava, maria teresa, branca muito branca. ah.sou eu.plim.alguém por favor (mas na verdade é só um único alguém) me salva da sordidez da minha vida? andandaválá. o stress de ser escrava manifesta-se pelos ombros abaixo.

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a arquitecta e o engenheiro.
estacionam os dois lado a lado, ela é distraída.nem repara.
chegam os dois atrasados, ela tira a escova do porta-luvas e penteia-se.
ele vigia-a.

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t, enquanto não projecta (nem constrói) a casa de praia para os sobrinhos - vai só ali comprar um papagaio de vento e fugir para o guincho.

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deixem-me que vos diga (a alguém) estou a rir feita parva. são 10.30, regra geral fujo de reuniões com promotores. hoje meio à bruta lá vim eu, o menino até chegou meia hora antes da hora. acabei por despachá-lo assim como quem não consegue olhar nos olhos porque minhas queridas, ainda há homens muito interessantes b-o-n-i-t-o por estas bandas onde o judas perdeu as sandálias. é só o que tenho a dizer - básico?. vou ali fora fumar e dizer umas quantas asneiras, porque eu sou parva que baste. (chicinha)

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pensamentos, género t
coisas que eu sou capaz de fazer: passar por diversos circulos vermelhos na marginal. perceber que adormeci por um segundo enquanto conduzia. sair da dita encostar o carro e, ao olhar para o lado ver uma viatura dos senhores que nos protegem (ámen) abrir a janela. pensar (quase dizer) eu passei uns quantos vermelhos ainda agora, mas não me multem por favor, que fico sem carta (mesmo) foram só uns dois ou três e...

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com os olhos fechados inspirei o ar frio sol acordou.de pé no muro alto para poder ver o mar.sorri tanto. embaixo passou um senhor casaco castanho disse:que... és tão bonita. foi por ter descoberto as possibilidades das leggings somada às designadas botas que de aço nada têm para levar a espaços menos próprios para mulheres e agulhas.agradeci a quem me entope a entrada para a autoestrada, seguem todos ao contrário do meu caminho, mas mesmo assim, interferem. na marginal, há quem pare o carro para correr ou caminhar, depois páro eu, para subir a um muro sorrir e acender um cigarro. coisas simples

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inteligente (é com i)
telegrama. não aqui tempo. inteligente (é com i). acidente (eu bater com carro primeira vez) melhor amigo.

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(baixa do fim de semana)
três unhas e por consequência todas as unhas cortadas rente.
agora não reconheço os dedos agarrados a este corpo (sim, o peso total de tudo isto é verídico... aguardo uma solução viável. para além do ginasio - segue-se o raio da dieta).
antes as unhas do que estar eu por esta hora numa morgue.
apanhei o meu primeiro estado de 'coma' na estrada, mas se há gente má e incompetente fora do alcatrão é porque ela também lá anda. (prova superada)

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(agora, tente explicar-me. como é que um vinho de noventa euros lhe faz dor de cabeça?)

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[ bom dia.o meu nome é teresa e hoje. vou tentar não adormecer ]

tzinha deita-se perto da uma da madrugada.ainda manda uma mensagem.lê o recado colado no roupeiro.
1:50 - tomazini perde a chucha. acorda. chora. choro interminável, daqueles que encostam o coração a uma parede gelada.
(afinal não foi por perder a chucha.ok...não tem fome.não tem sede.tem a fralda com xixi, a tia já muda)
2:20 - tomazini não pára de chorar.tzinha embala.canta.anda.dá beijinhos.
2:40 - gases.muitos.tzinha massaja barriguinha.faz exercício às perninhas.
3:10 - tomazini pára de chorar(tzinha agradece às fadinhas, e à sta teresinha grávida que recebeu um dia antes numa noite de estrelas)
3:15 - tá?...papá...tá....ôuôu...tá?... tomazini acordado e com vontade de brincadeira.
4:10 - tomazini adormece.tzinha também.

(alguém importante ainda pergunta, t quando é que tu tens filhos. agora tenho uma resposta para ti)

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[ sábado ]
é.uma boa noite para ficarmos.
[ mark kozelek - santiago alquimista ]

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[ o dia ainda só tem catorze -longas- horas e, a mim apetece-me. isso mesmo. ficar enrolada debaixo da secretária, dobrar o belo casaquinho da tintoretto e, dormir descansada ]

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[amanhã ]
vai ser um dia importante. que muda (um pouco, porque não muito - seja honesta menina) a minha vidinha (...) vai tudo correr bem (convence-te que sim)

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